Ásia Menor
Deusa da Fertilidade
Deusa da Fertilidade
Segunda metade do III milênio a.C.
Placa de terracota com verniz vermelho
Altura 25 cm
Proveniente do Chipre
Durante a Idade do Bronze, Chipre foi habitada por uma civilização que se relacionou intimamente com as culturas da mesma época da costa da Anatólia e da região da Síria, e que ao mesmo tempo se aproveitou de certas ligações com os egeus. Esta civilização produziu a pequena deusa representada aqui, caracterizada pela estilização geométrica da figura humana. Somente as orelhas e a ponta do nariz elevam-se da superfície plana e retangular da pedra. As bordas da roupa, os calares e os braços são definidos por simples incisões, enquanto os olhos, narinas, boca, mãos e as pérolas do colar são indicados por pequenos buracos feitos na superfície. O ídolo é a expressão de um estilo abstrato, resultado de um raciocínio mais do que uma composição casual, e que tem suas origens na magia e simbolismo misterioso de uma civilização pré-histórica.
Estela de Narã-Sim de Acádia
Estela de Narã-Sim de Acádia
Sippar: período do Governo Acadiano: Fase III,
Fim do III Milênio a.C
cerca de 2389-2353 a.C.
Feita em arenito rosa,
Altura 2m, largura 105 cm.
Estela comemorativa de Susa, tomada como presa de guerra no século XII a.C. pelo Rei Shutruknahhunte, depois da conquista babilônica de Sippar e outras cidades.
Os acadianos governaram a Mesopotâmia sem corromper seriamente a cultura suméria, durante os dois séculos entre os períodos Protodinástico e Neo-Sumeriano. Os escultores acadianos, no entanto, quando se defrontaram com o estilo de figuras pesadas e toscas da civilização que os antecedeu e a dura formalidade de suas representações em relevo, mostraram serem eles observadores mais íntimos e mais atentos da natureza do que foram os sumérios. A Estela é um monumento excepcional, sendo provavelmente a mais antiga obra de arte conhecida em que o artista conseguiu representar uma ideia de espaço. Ele tentou claramente mostrar uma relação natural, e realista entre as figuras humanas e a sua colocação topográfica, ao invés de ceder a estilização tradicional. A sua tarefa foi em parte facilitada pela conformação do local representado, a encosta de uma montanha, e também pela cena esculpida, um ataque de acadianos contra uma tribo das montanhas.
Os contrafortes aparecem como linhas onduladas subindo até o cume da montanha. Assim o escultor tinha desculpa para mostrar uma figura acima da outra. Na representação normal de multidão para numa área plana, os artistas tradicionalmente projetavam a ideia de diversas fileiras de pessoas usando a mesma disposição, sem a visão racional de um terreno inclinado. Identicamente, o escultor deu um certo movimento ao fundo, colocando diversos guerreiros em contrafortes sucessivamente mais altos. O escultor ainda não chegou ao ponto de conseguir fazer com que montanhas e colinas escondam completa ou parcialmente as figuras humanas. Dezenove séculos terão de passar, até a aparição da Anfora do Argonauta, para que se consiga tal sofisticação.
O Sacerdote Abihil do Templo de Ishtar
O Sacerdote Abihil, do Templo de Ishtar em Mari
Época pré-dinástica. III Milênio a.C. Fase Fara (antiga Shurupak na Suméria)
cerca de 2900-2685 a.C.
Detalhe figura sentada.
Feito em alabastro com betume incrustado (pestanas) e lápis-lazúli
altura 52 cm
Proveniente de Mari, hoje chamada de Tell-Hariri, no Eufrates.
O calvo e barbado Abihil veste um saiote de pele de carneiro típico dos sumérios deste período. Ele está sentado num banquinho de vime, com as mãos postas para rezar. O pequeno tamanho da estátua, sua compacidade e esfericidade geométrica são típicos da época das mais finas obras conhecidas. Igualmente característicos são os grandes olhos, de um olhar intenso e penetrante, obtido pela incrustação de pedras coloridas. Embora a estátua seja concebida frontalmente, parece menos rígida e confinada numa visão quadrilateral do que o Escriba Sentado do Egito. As partes curvas e planas do corpo são salientes, dando a figura uma aparência arredondada, ocultando o fato de que, como no Egito, o artista ainda pensa em termos de superfícies bidimensionais colocadas juntas para criar uma terceira dimensão.
Placa Votiva de Ur-Nanse
Placa Votiva de Ur-Nanse
Arte sumeriana da época pré-dinástica. III Milênio a.C.
Fase de Ur I: cerca de 2630 a.C.
Feito em Pedra calcária
altura 40 cm, largura 47 cm,
Proveniente de Tello (antigo Girsu)
Nesta placa votiva suméria, o governante Urnanshe é representado duas vezes, e em ambas é acompanhado da diminuta figura de um servo. No registro superior. ele carrega um cestona cabeça, cheio de material para a construção de um templo, no inferior, está sentado no trono. Na sua frente estão seus filhos, quatro em cima e quatro embaixo, identificados pelos respectivos nomes. Não se conseguiu esclarecer quem é o personagem de tamanho maior que precede as crianças na fila superior, se o primogênito morto antes do pai (que de fato foi sucedido por Akurgal, mostrado em segunda posição), uma filha ou uma sacerdotisa. As figuras estão reduzidos a meros estereótipos, desenhadas de de acordo com a convenção que combina vistas frontais e laterais, e um escala de tamanho em acordo com o grau de importância. Esta técnica se assemelha mais a pictografia ou escrita por meio de imagens do que à arte figurativa.
Gudéia
Gudéia
Época da alta dinastia, período dos últimos principados sumérios
Fase de Gudéia (cerca de 2290-2255 a.C). III Milênio a.C.
Estatueta sem inscrições. Diorita, altura 105 cm.
Proveniente de Lagash, adquirido pelo Louvre em 1953
A escultura neo-sumeriana acompanhou as mesmas linhas seguidas no período acádico, exceto o relevo histórico que desaparece de cena. Existem numerosas numerosas estátuas de piedosos nobres locais e princesas no ato de rezar. Somente de Gudéia, se conhecem uns trinta monumentos. O bom vestido sumério usa aqui uma grande manta com bordas franjas e um gorro que parece ser feito de pele de carneiro. A figura ainda é frontal, com rotundidade estilizada acentuada pela superfície lisa da roupa. Esta ultima característica pode resultar da confrontação do artista com uma pedra especialmente dura (diorito) ou de alguma influencia egípcia. As proporções da figura são tipicamente sumérios, na solidez compacta do corpo e no tamanho da cabeça, mãos e pês relativamente grandes.
Vaso de Susa
Vaso de Susa
Cerca de 2000 a.C.
Terracota com decoração entalhada e incrustada com pasta branca
Altura 19 cm.
Proveniente de Susa.
Em comparação com a estátua de Gudéia, o vaso de Susa é uma arte menor. Contudo, a riqueza das incisões, incrustadas com uma pasta branca, o equilíbrio entre a cena central do pássaro e do peixe e o desenho com um todo, e mais o agradável ritmo dos vários motivos geométricos secundários, refletem uma sensibilidade artísticas altamente desenvolvidas.
Expedição Naval
Expedição Naval
Ultimo período assírio. Reinado de Sharruukin (Sargão II)
VIII Século a.C. 721-705 a.C. Alabastro
Altura 293 cm.
Proveniente de Dur Sharruukin (Corsabade)
O relevo histórico reapareceu durante o período neo-assírio. A cena representa o transporte de materiais de construção destinados ao palácio real de Corsabade. Diversas grandes traves foram carregadas no convés dos navios, e outras vem boiando atrás. A frota passa na frente de cidades fortificadas (os portos da Fenícia). Toda a cena é representada vista de cima. Vê-se o mar do alto, sias vagas desenhadas em espirais e estrias estilizadas. Espalhados entre os navios, aparecem peixes e gênios na forma de touros alados com cabeças humanas. Assim o observador é levado a ver além dos navios e da superfície da agua e sentir outra dimensão, a da profundidade.
Homem-Touro e Deusa Intercessora
Homem-Touro e Deusa Intercessora
Período Médio elamita, 1170-1151 a.C
Fim Do II Milênio a.C.
Relevo em Tijolos
Altura 137 cm
Proveniente de Susa.
O Homem-Touro e a deusa decoram a parede de tijolos que originalmente fazia parte de um edifício ligado ao culto da fertilidade. A própria deusa tem cascos em lugar de mãos. é impossível saber se esta placa fazia parte de uma frisa contínua ou se ela se alternava em pilastras.
Cena de Sacrifício
Cena de Sacrifício
Período Larsa: fim do XX começo do XIX século a.C.
Começo do II Milênio a.C.
Fragmento de um mural do Palácio de Zimrilim em Mari
Tempera no gesso,
Altura 80 cm e largura 135 cm
Durante o período de Larsa, o poder politico na Suméria estava dividido entre um certo número de cidades-estados beligerantes. Foi quando Hamurabi unificou esta área sob o seu governo, depois da queda da cidade de Mari, em 1897 a.C. As pinturas do palácio de Mari, que servira de morada para o ultimo rei, Zimrilim, parecem datar do período que o precedeu de pouco a conquista de Hamurabi. Diversas cenas de sacrifício foram reconstruídas com pequenos fragmentos encontrados em um dos dois grandes pátios do palácio. O detalhe ilustrado aqui mostra um procissão de homens levando um touro para o sacrifício. Uma figura gigantes de deus, rei ou sacerdote, lidera o grupo de devotos. O desenhos foi executado com contornos pretos sobre um fundo branco, com a adição de um ocre leve e queimado. Em outros murais do mesmo palácio os artistas usaram também o vermelho, o amarelo, o azul e o marrom. Embora os artistas ainda tenham consciência dos primeiros ângulos e registros da representação, não estão mais tão restritos a eles como estavam os egípcios. Os fortes perfis dos homens estão claramente relacionados com o cânone de figuras já desenvolvidos na escultura e relevos acádios e do ultimo período sumério. Esta cena, o mais antigo exemplo de pintura mural da Mesopotâmia que possuímos, reflete obviamente uma tradição já velha há séculos.
Código de Hamurabi, Rei da Babilônia
Código de Hamurabi, Rei da Babilônia
Ultimo período Larsa (1930-1888 a.C.)
Começo do II milênio a.C.
Basalto negro
Altura 225 cm
Estela proveniente de Susa: tomada como presa de guerra pelo rei elamita, Sutruk-nahhunte, no século XII a.C.
O famoso código de Hamurabi está gravado na maior parte da superfície deste grande bloco de basalto. A descoberta em Susa de resto de um segundo exemplar leva a pensar que o código foi reproduzido num certo numero desse monumentos. Na parte superior da estela, mão direita num gesto de devoção. O deus parece estar passando lhe um cetro, símbolo do poder. Este motivo de adoração é comum em selos e tem numero antecedentes nos monumentos neo-sumericos. Os artistas de Hamurabi prestam devida homenagem a cultura que conquistou, adotando os esquemas estilizados herdados dos monumentos do período de Gudéia.
Gênio Propiciatório De Um Herói
Gênio Propiciatório De Um HeróiFim do VIII Século a.C.
Usualmente identificado como Gilgamés, do ultimo período assírio
Reino de Sargão 721-705 a.C.
Feito de alabastro
Altura 470 cm
Proveniente do palácio de Sargão II em Dur Sharruukin (Corsabade) situado em frente à sala do trono num dos pátios internos.
Durante o reinado de Sargão II.
Durante o reinado de Sargão II, os escultores assírios alcançaram o máximo de sua expressão artística nas poderosas figuras isoladas de divindades, heróis, dinastias ou gênios. O gênio ilustrado aqui, relacionado por alguns com o herói Gilgames, exemplifica a força compacta destas figuras. O colorido entalhe do pelo (animal e humano) e da roupa, e o gosto do artista por expressivos detalhes anatômicos animam a figura essencialmente geométrica e frontal.
Arqueiros da Guarda Persa
Arqueiros da Guarda Persa
Idade Aquemênida século V a.C.
Tijolos esmaltados
Altura de cada arqueiro 147 cm.
Friso proveniente do Palácio de Dario, em Susa
A antiga tradição mesopotânica de tijolos esmaltados, usados pelos artistas do período neobabilônico na porta monumental de Ishtar, do tempo de Nabucodonosor, foi retomada pelos reis persas na decoração de seus luxuosos palácios. Aqui, numa repetição estilizada, estão os arqueiros de Susa, os famosos "imortais" e suas lanças com pontas de ouro e prata.
Leão
LeãoIdade Aquemênida: século IV a.C.
Detalhe. Tijolos esmaltados,
Comprimento do animal inteiro 370 cm.
Proveniente de Susa, anteriormente parte de um friso continuo.
Embora a arte imperial da Pérsia devesse muito à Assíria e à Babilônia, ela foi permeável a numerosas influências. Neste leão, e na vivacidade de seu movimento, sente-se uma divida para com a arte grega. O jogo rítmico interno de curvas que dá ao focinho sua estilização característica, vem da tradição assíria e reflete a influência da sensibilidade linear originária da Ásia Central. Séculos mais tarde, a escultura chinesa do período Liang sentirá a influencia dos modelos acmenianos em seus próprios leões estilizados.
Fontes:
Livro: Enciclopédia Dos Museus 1967- Arnoldo Mondadori Editore




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