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domingo, 3 de dezembro de 2023

Museu Boulieu

Museu Boulieu



O Museu Boulieu – Caminhos da Fé acolhe a coleção formada pelo casal Maria Helena e Jacques Boulieu. O acervo reúne peças provenientes de variadas regiões do mundo nas quais se projetou a cultura ibérica levada pelos navegadores e conquistadores portugueses e espanhóis. A arte barroca tem aqui uma síntese de sua expressão global.

Os territórios aonde chegaram os colonizadores, no entanto, já estavam habitados e havia pujantes e variadas culturas com organização, costumes e visões de mundo próprios. A arte barroca, então, se defrontou e penetrou nesse ambiente: na religiosidade e nas manifestações estéticas derivadas do projeto colonizador de dominação dos povos nativos, gerando expressões únicas, entre outros efeitos sociais e econômicos historicamente conhecidos.


Acervo

Cravo

Cravo
Classificação/Tipologia
Instrumento musical
Data de produção
séc. XX

Placas de Identificação




Quadro

Nossa Senhora do Rosário, de Pomata

Nossa Senhora do Rosário, de Pomata
Pintura religiosa
Resumo descritivo
A devoção de Nossa Senhora do Rosário é de tradição dos padres dominicanos, nesta pintura sob a invocação de Nossa Senhora de Pomata. Em todas as igrejas dominicanas há uma Capilla del Rosario, sendo as mais famosas das Américas aquelas de Puebla e Oaxaca, no México, em Quito, no Equador, e em Tunja, na Colômbia. Distantes desses centros, existiam missões ao redor do lago Titicaca, na Bolívia, que pertenciam ao vice-reinado do Peru. Em uma delas, a missão de Pomata, os dominicanos introduziram essa invocação no final do século 16, na Igreja de São Tiago Apóstolo. Já no início do século 17, circularam gravuras representando essas virgens com formas triangulares, a exemplo de Copacabana, na mesma região.
A Virgem de Pomata passou, então, a ser representada com o manto triangular. O menino Jesus, com o globo terrestre na mão, está seguro pelo braço esquerdo; com a mão direita, Maria oferece o rosário aos fiéis. Na grande maioria das pinturas cusquenhas, todo o altar onde ela está faz parte da pintura, com flores, colunas, velas e mesmo a Santíssima Trindade e santos em oração. Aqui também a obra estaria sobre um altar, a julgar pelas cortinas e pela toalha do altar com aplique de renda na borda, mas a inovação do artista mostra uma pintura completada com as rosas em sua longa cabeleira.
Vestida à moda sevilhana com a capa que também as princesas incas usavam – o vermelho simboliza a virgindade –, está coroada. Acima, um toucado de plumas de avestruz – pássaro mítico (suris) sagrado –, assim como o Menino está emplumado. Observam-se adereços de fios com pérolas, brincos que eram oriundos das Filipinas e foram amplamente representados como sinal de nobreza pelos artesãos. Um festão de rosas nos lembra a invocação de rosa mística.
Data de produção
séc. XVII
Local de produção
América do Sul > Andes
Anotações do Colecionador
NS de Copacabana, tres fileiras de grandes pérolas, fitas azuis e branco formando grandes nos , plumas nas coroas, flores. Rosario nas mãos da Santa e do menino Jesus.

Nossa Senhora de Belém

Nossa Senhora de Belém
Classificação/Tipologia
Pintura religiosa
Resumo descritivo
A invocação de Nossa Senhora de Belém refere-se aos primeiros momentos da vida de Cristo, que em outras iconografias seriam o nascimento e a adoração pelos pastores e reis magos. Esta iconografia segue modelo das virgens ricamente vestidas, dispostas em altares e segurando o Menino. Tradicionalmente, tanto na Espanha como na América, as esculturas de Nossa Senhora recebem enxovais completos, como neste caso, com túnica, manto, coroa, adornos e pérolas; e o Menino, roupas rendadas semelhantes às usadas nos batizados e capa.
Esta imagem, vestida com manto triangular, tão ao gosto das Virgens bolivianas, está em um altar ou nicho que se abre ao fiel como uma visão celeste. A penumbra do fundo do camarim, aberto por uma cortina com as mesmas cores da Virgem, azul e vermelho, acentua a grandeza da venerada. A base do altar é de prata, com três vasos de flores e duas taças. As flores estão dispostas de maneira simétrica, e as pequenas flores azuis rimam com os laços que prendem os fios de pérolas. Os ornamentos dos bordados do manto obedecem às reentrâncias mais escuras dele, formando sutis linhas diagonais para quebrar a visualidade do aplique amarelo do manto reto. A posição do Menino, vestido com roupas triangulares, com leve inclinação, alivia a composição simétrica, tornando-a charmosa.
O rosto ovalado da Virgem, que se sobressai da zona escura da longa cabeleira, é o centro de interesse visual do quadro, pleno de minúcias, como coroa, brincos e riquíssimas rendas dos punhos das mangas e túnica do Menino. A julgar pela delicadeza das flores em primeiro plano, o fundo com raios, nuvens e cortinas com os nós são intromissões de outro artífice.
Data de produção
séc. XVIII
Local de produção
América do Sul > Andes
Anotações do Colecionador
Virgem da Guadalupe, notar a roupa triangular da Santa e do menino Jesus, tipica desta devoção. Obra ingenua. Moldura dourada antiga.

Fuga para o Egito

Fuga para o Egito
Pintura religiosa
A fuga para o Egito está descrita apenas no Evangelho de São Mateus, quando um anjo aparece em sonho para o pai, José, e o adverte para fugir ainda à noite para o Egito e lá permanecer até que Herodes morra. Os livros apócrifos dão detalhes do trajeto da fuga, como quando Maria, ao ver um homem semeando trigo no campo, lhe disse para falar aos soldados de Herodes que ele tinha visto os três fugitivos – quando os soldados chegaram, o trigo já tinha crescido, e os soldados desistiram da busca. Outro livro apócrifo indica até o lugar onde se estabeleceram, em Sotina (Hermópolis), a vila dos ídolos
A iconografia é de amplo conhecimento: São José conduzindo o jumento com Maria segurando nos braços o Menino. As flores amenizam os caminhos da incerteza que os leva ao desterro de sete anos. Na cultura popular, pássaros gorjeavam, avisando que o caminho estava livre para seguirem. A fuga passa-se na madrugada. A escuridão envolve os personagens, enquanto no alto uma pequena paisagem iluminada na extremidade direita dá profundidade a toda a cena.
As vestimentas são bordadas, enriquecidas com aplicação de ouro, resolvidas plasticamente com planimetria e raros sinais de volumetria. Os temas religiosos que continham paisagens eram muito bem-aceitos entre os compradores e, por isso, há uma grande quantidade de pinturas cujos fundos pintados em tonalidades azuis e marrons remetem aos primeiros modelos de pinturas flamengas europeias.
Data de produção
séc. XVII
Fuga para o Egito. Rica vestimenta com "estofados ourdos" dourados, delicadeza das mãos e dos rostos, harmoniosa composição,.

Coroação de Nossa Senhora
Coroação de Nossa Senhora
Classificação/Tipologia
Pintura religiosa
Resumo descritivo
A coroação de Maria, assunta aos céus, revela o esforço catequético em inserir a mulher no conceito do mistério da Santíssima Trindade. Aqui ela aparece como colaboradora para a redenção da humanidade, marcada pela mancha do pecado original. Seu filho aparece ressuscitado, depois de ter cumprido sua missão de salvar o mundo. Para este plano, Maria aceitou ser concebida pelo Espírito Santo e realizar o plano divino de o filho se fazer humano. Com a cruz gloriosa, já pesa sobre seus ombros divinos, Ele a recebe coroando-a como participante do reino dos céus.
A Virgem está de joelhos sobre volumes de nuvens que apoiam seu longo manto azul, símbolo de proteção aos homens. Mãos postas em prece e agradecimento por ter cumprido sua missão, olha para os fiéis na terra, enquanto Jesus, seu filho, e Deus Pai, segurando o globo terrestre, coroam sua cabeça, aureolada por raios luminosos, sob as bênçãos do Espírito Santo.
As cores empregadas são escuras, a começar pelo manto e pela túnica da Virgem. O vermelho intenso, prerrogativa da liberdade dos artífices andinos, é empregado unindo as capas masculinas e a pequena mancha rodeando as mãos de Maria. Sob a pesada capa de Deus Pai, o artífice colocou três rosas vermelhas, numa alusão à Trindade, que agora são quatro, com a inclusão de Maria.
Data de produção
séc. XVIII
Local de produção
América do Sul > Andes
Anotações do Colecionador
Coroação da Virgem pela SS Trindade.

Adoração dos Reis Magos

Adoração dos Reis Magos
Pintura religiosa
A cena da adoração pelos reis magos ocorre ainda dentro do estábulo, junto à manjedoura de Belém, onde nascera o menino Jesus. Guiados pela estrela do Oriente, aqui representada pelo brilho no estábulo, os santos reis trouxeram presentes e adoraram Jesus nos braços de sua mãe, Maria. E vendo a estrela, alegraram-se eles com grande e intenso júbilo. Entrando na casa, viram o menino, com Maria sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra. Sendo por divina advertência prevenidos em sonho a não voltarem à presença de Herodes, regressaram por outro caminho a sua terra.
A composição em linha oblíqua ascendente se inicia nas faces dos magos e se intensifica nos rostos do Menino, da Virgem, ainda na altura dos turbantes, e de São José, evidenciada pela mancha escura do estábulo. As linhas retas do suporte onde se encontra o brilho da estrela e o braço esquerdo da mãe, em gesto de desapego ao apresentá-Lo aos visitantes do Oriente, imprimem certa verticalidade à estrutura. Os movimentos mais amplos são do corpo iluminado do Menino, tanto braços como pernas, e, ao fundo, do longo pescoço do camelo, que surge na escuridão com um clarão do archote empunhado por um servo da comitiva real.
As diversas formas de turbantes foram amplamente divulgadas por meio de gravuras renascentistas e barrocas, a indicar o mundo antigo e longínquo tanto geograficamente como historicamente. Belchior, o mais velho a oferecer um presente da realeza, o ouro que o Menino aprecia, está coroado, além de cobrir sua cabeça com turbante branco; Baltazar, o mouro negro oferecendo incenso ao recém-nascido, pleno de espiritualidade, exibe um volumoso turbante listrado; Gaspar, o moço, que empunha o cetro e segura o frasco com a mirra, símbolo da imortalidade, está coroado. Seu perfil simplificado denota as dificuldades do pintor em modelar os rostos.
Data de produção
séc. XVII
América do Sul > Andes
Natividade. Adoração dos reis magos, obra indigena inspirada das gravuras flamengas, camelo parecido com um lama

Nossa Senhora concebida pelo Espírito Santo
Nossa Senhora concebida pelo Espírito Santo
Esta pintura da Imaculada concebida pelo Espírito Santo tem o apelo das figuras edulcoradas pelos seguidores do pintor espanhol Bartolomé Esteban Murillo (1617-1682). Para suprir a demanda de encomendas por pinturas cujas figuras eram destinadas às devoções particulares, como esta da Imaculada, os ateliês produziam em séries seguindo modelos conforme os perfis de clientes – ricos mineradores e funcionários do governo contentavam-se com as pinturas mestiças ou crioulas com referenciais cultos, mais sofisticadas que as pinturas populares piedosas.
A moldura em forma de ramalhete de flores tem nos quatro cantos a lembrança da pureza da Imaculada, com vistosas açucenas em frescor. As rosas vermelhas – rosa mística – voltam-se para a retratada, de forma semelhante às pinturas referenciais flamengas ainda do século 17. Em seu peito há uma tarja com inscrições alusivas ao Cântico do Magnificat: no seio da beata virgem habita a alma do Senhor (versão livre), que acaba de ser concebida pela ação do Espírito Santo, a pomba em seu peito. Os escritos completam-se na auréola, invocando que a intercessão de Maria – per Mariam – chegue a Cristo – IHS – na parte central da frase. O gesto das mãos cruzadas simboliza a concordância e aceitação ao que lhe foi proposto, ficar grávida mesmo sem conhecer o homem.
A face da Virgem é de apuro técnico, com certeiras pinceladas de algum mestre nas técnicas do esfumado – no rosto – e do esfregado – as transparências do fino tecido que envolve o colo. O brocateado – aplicação de pinceladas de ouro formando desenhos – foi executado com coerência e distinção em cada espaço. Na túnica, imitando apenas o esgrafiado das vestimentas das esculturas, com riscos retos e aplicação de pequenas flores. Os desenhos que definem as bordas do manto ostentam ramagens curvilíneas e a repetição das flores. Já o manto recebeu ramagens mais longas e a adição de hachuras, indicando possíveis zonas mais escuras. As soluções conjugam-se em harmonia: os dizeres, as flores e figura com claros e escuros e as vestimentas planas com os desenhos dourados recordando as soluções escultóricas.
Data de produção
séc. XVIII
Local de produção
América do Sul


São Lucas
São Lucas
Resumo descritivo
São Lucas, Evangelista (Antioquia, séc. 1 – Patras), era médico e pintor. Seu Evangelho é o terceiro no livro da “Bíblia”. Não se considerava discípulo de Cristo, mas, sim, seguidor de São Pedro como pregador dos ensinamentos cristãos para ampliar a missão de Jesus. Conheceu Maria, a mãe de Cristo, e tornou-se amigo dos apóstolos, deles ouvindo os ensinamentos de Jesus baseados em relatos de primeira mão e testemunhas dos fatos. Em seu Evangelho, relata com detalhes a Paixão e morte de Cristo. Pintou vários quadros da Virgem, segundo a tradição. São Jerônimo justificou seu símbolo, o touro, por este ser um animal sacrificado nos rituais da Antiguidade – sua personalidade persistente convinha com o símbolo, assim como sucedera com o profeta Ezequiel.
Esta pintura popular o apresenta como pintor, com o pincel e a paleta nas mãos, recebendo a inspiração vinda dos céus. Quanto a ser ele o autor de quadros de Maria, há controvérsias, pois um judeu não poderia pintar quadros, conceber figuras divinizadas. A tradição de pintor da Virgem é por ter sido ele quem a melhor descreveu nos Evangelhos. No século 9, houve um pintor muito piedoso que se chamava Lucas e retratava a Virgem, sendo chamado de santo. Daí, Santo Lucas ou São Lucas. Na basílica papal de Santa Maria Maggiore, em Roma, há um ícone que se diz ser o retrato de Maria pintado por São Lucas, Evangelista, mas na realidade é um ícone bizantino do século 12. As rosas indicam uma tradição andina de adornar as figuras.
Data de produção
séc. XVIII
Local de produção
América do Sul > Andes

São Jacinto
São Jacinto
Pintura popular narrando fatos milagrosos de São Jacinto, dominicano nascido na Polônia (1185), com estudos em Cracóvia, Praga, Bolonha e Paris, sendo ordenado em Roma por São Domingos de Gusmão. Levou o cristianismo à Europa Oriental, fundando mosteiros em Praga, Moravia e Kiev. Morreu em 1257, em Cracóvia, sua terra natal e cidade da qual é patrono.
Entre seus milagres estão: curar picadas de cobra, restabelecer um trigal danificado por chuvas de granizo e salvar um jovem que se afogava. Com a imagem da Virgem nos braços, enfrentou os tártaros quando eles sitiaram Kiev, cidade em que era prior de um monastério. O milagre ocorreu porque teve que atravessar o rio Dniper sobre as águas, guiado por um anjo invisível. Daí o ditado: caminhar no caminho de São Jacinto. Após o fato milagroso, a Virgem lhe apareceu e lhe deu o menino Jesus em seus braços.
Sua iconografia o apresenta com hábitos dominicanos, caminhando sobre as águas do rio Dniper com a custódia na mão e a escultura da Virgem nos braços. Essa iconografia é posterior a 1594, depois de uma pintura encomendada pelos dominicanos. Anteriormente, estava o santo ao lado de uma capela em Avinhão.
Aqui, o santo aureolado está presente em dois fatos: na extrema esquerda, um homem negro atravessa um lago em uma balsa (salvamento do jovem que se afogaria), e, do lado oposto, um fiel pede por um milagre para salvar uma capela de um incêndio. O santo, com estola vermelha, sai em socorro dos aflitos com a imagem de Maria no braço esquerdo e um ostensório com a sagrada hóstia na mão direita. O terço – devoção dos dominicanos – em cor escura destaca-se do hábito branco.
A composição é descritiva dos fatos, e a aparição do santo tem sua importância demarcada pelo tamanho simbólico, enquanto os homens aflitos e mesmo um cavalo são pequenos e de menor importância. A paisagem do lado direito é árida – aqui, porém, é a representação do rio Guayas, no Equador, o qual está prestes a atravessar, como fizera no rio Dniper. As montanhas abaixo do ostensório servem para dar profundidade e talvez referência ao campo de trigo restabelecido das tormentas. As tonalidades azuladas mescladas com ocre são os únicos indicativos de que o artífice tinha algum conhecimento de pinturas antigas. São Jacinto é celebrado no dia 17 de agosto. No verso da tela há breve descrição da vida do santo, datada de 28 de outubro de 2004.
Data de produção
séc. XVIII
Local de produção

Santa Brígida
Santa Brígida
Santa Brígida da Suécia foi uma princesa nascida em Finstad em 1303 e recebeu o nome da santa irlandesa homônima. Em 1320, casou-se, teve oito filhos e realizou, com seu marido, uma peregrinação ao Santuário de Santiago de Compostela, na Espanha. Aos 40 anos, enviuvou, retirou-se a um monastério e fundou, em 1346, em Vadstena, a Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida. Em 1370, viajou a Roma para obter a bênção à sua ordem. Faleceu três anos depois, ao regressar da Terra Santa.
Sua iconografia a mostra com hábito longo de abadessa, um livro, de suas revelações místicas, cetro, coroa e leão, símbolos da realeza sueca da qual abdicou. Também aparece com um cajado de peregrina, como quando fora para Roma e a Terra Santa. Sua devoção à Paixão de Cristo é expressa por um coração ardente com a cruz de Jerusalém, e seu sacrifício, portando uma vela com cera derretida que fazia sangrar suas mãos. É padroeira da Suécia e copadroeira da Europa, e seu dia é comemorado em 23 de julho.
Nesta pintura, Santa Brígida – como abadessa, pois leva o báculo na mão esquerda – veste o hábito escuro e segura o coração inflamado na mão direita. Está retratada dentro de sua cela, com uma mesa e rosas. Uma cortina vermelha à direita menciona certa profundidade e, na extrema esquerda, os raios da inspiração divina surgem por entre pequenas nuvens.
Data de produção
séc. XVII
Local de produção
América do Sul

Santo Ambrósio de Milão
Santo Ambrósio de Milão
Santo Ambrósio (Trévis, 340 – Milão, 397), doutor da Igreja, quando ainda pequeno ficou órfão e foi enviado para Roma, onde mais tarde foi designado funcionário do Império Romano. Em 372, tornou-se governador da província de Emilia-Liguria. Apaziguou brigas entre católicos e arianos (que não creem na Trindade) em Milão, onde ordenou-se sacerdote e tornou-se bispo. Pregador memorável, converteu os pagãos e, com o reconhecimento do cristianismo, os expulsou da política romana. Introduziu o rito ambrosiano na liturgia.
Seus atributos são: uma colmeia de abelhas – que, quando pequeno, entraram em sua boca –, vestimentas episcopais, mitra, báculo, livro e pluma para os escritos. Nas pinturas, sempre acompanhado dos outros doutores Agostinho, Gregório Magno e Jerônimo, são posicionados no arranque das cúpulas ou nas extremidades das paredes, como na Igreja de São Francisco em Ouro Preto, obra do mestre pintor Manuel da Costa Ataíde. Sua celebração festiva ocorre no dia 7 de dezembro.
Data de produção
séc. XVIII
Local de produção
América do Sul

Anunciação à Maria
Anunciação à Maria
Os elementos iconográficos da cena da anunciação estão explícitos: Maria, ajoelhada, recebe a mensagem divina anunciada pelo arcanjo Gabriel, que sinaliza com o braço esquerdo a presença de Deus Pai abençoando a vinda do Espírito Santo. Compõem a cena, ainda, uma estante de traços barrocos suportando o livro de leituras, um vaso com flores evidenciando as açucenas, símbolo da pureza, e o cesto com fios a ser tecidos, lembrando que Maria teria tecido, ainda no templo de Jerusalém, o manto para Jesus.
A composição esforça-se para dar profundidade enunciando vários planos que se sobrepõem: as vestes e a mão de Maria sobrepostas à estante, o livro sobre seu suporte de madeira, ambos recursos corroborados pelas tonalidades claras sobre as escuras. Do vaso do lado esquerdo, sobre o piso amarronzado, elevam-se flores brancas sobre as nuvens azuladas, que se confundem com as vestimentas do ser celeste anunciador. As três flores brancas abertas simbolizam a tríplice virgindade de Maria, em sua concepção, na concepção de Cristo e no momento do seu nascimento. As três rosas evocam a litania da rosa mística.
O manto vermelho de Gabriel está voltado para a frente e parte para trás sobrepondo-se às asas. A luz formando um triângulo no centro compositivo faz recuar as cabecinhas de putti como a presença de Deus Pai segurando o globo terrestre. Como um último gesto de compreensão de profundidade do artista, a triangulação das figuras, Maria, Gabriel e Deus Pai, está disposta por tamanhos segundo os planos de seus posicionamentos da cena proposta. O corpo de Maria, em primeiro plano, destaca-se pelo gesto que leva o olhar ao arcanjo, e este aponta para o Deus Pai, formando um contínuo movimento.
Data de produção
séc. XVIII
Local de produção
América do Sul

Nossa Senhora do Rosário, de la Montera
Nossa Senhora do Rosário, de la Montera
Classificação/Tipologia
Pintura religiosa
Resumo descritivo
Nossa Senhora do Rosário é de devoção dominicana; as pinturas da Virgem com o rosário foram muito divulgadas na região do lago Titicaca sob a denominação Nuestra Señora de la Montera, devido ao uso do chapéu. A produção dessas pinturas é rica e compete com outra invocação, Nossa Senhora de Copacabana, que tem seu santuário do lado oposto do lago, no território boliviano.
Esta Virgem do Rosário diverge de tantas outras pela elegância de suas vestimentas. O manto em forma de “V” deixa visível a roupa interna, do mesmo tecido adamascado, a túnica que cobre o corpo. A cintura fina, demarcada por um laço avantajado, prenuncia um rico corpete terminado em “V”, rimando com o do manto e do crescente da Lua. As guirlandas de pérolas claras ofuscam os fios escuros do rosário, que ganham visibilidade pela dimensão e movimentação dos gestos das mãos, em especial a delicadeza de Maria ao mostrar a cruz com extremidades avermelhadas.
O gesto de maternidade está expresso na inclinação e no olhar para o Menino. Um grande halo revestido de pedras preciosas e raios contendo estrelas destacam a figura da Virgem, com um chapéu ornamentado, posicionada sob um baldaquino iluminado por duas lanternas. Os detalhes dos bordados dos tecidos adamascados são coerentes com o panejamento, que insinua volumetria arredondada. As áreas de luz e sombra na toalha do altar e a parte escura da qual nasce o crescente da Lua revelam que se trata de uma escultura presa ao altar e revestida por ricas roupagens.
Data de produção
séc. XVII
Local de produção
América do Sul > Andes

Ecce Homo
Ecce Homo
Classificação/Tipologia
Pintura religiosa
Data de produção
séc. XVII
Local de produção
América do Sul

Nossa Senhora do Carmo
Nossa Senhora do Carmo
Classificação/Tipologia
Pintura religiosa
Resumo descritivo
A imagem da Virgem do Carmo salvando as almas do purgatório com o escapulário domina toda a composição. Apresenta-se às almas do purgatório sobre uma peanha de nuvens, surgindo das nuvens à maneira de uma visão triunfante descendo dos céus. O menino Deus no braço esquerdo da Virgem segura o globo terrestre encimado por uma cruz e, com a mão direita, abençoa as almas a ser redimidas. O escapulário de Maria é detalhado com os símbolos dos carmelitas – o monte Carmelo e as estrelas e a cruz da redenção. O gesto ao segurar o escapulário – com três dedos e, com outros dois, prestes a soltá-lo – é delicado, feminino.
O rosto da Virgem mostra-se resplandecente e radiante, o que é confirmado pelos raios, cuja luminosidade reflete nas nuvens. Sua face é serena, e inclina-se com meigo olhar para as almas penitentes. Suas vestes são esplendorosas. O manto, de veludo encarnado na face interna, tem recursos pictóricos de claro e escuro, dando-lhe profundidade. A surpresa é reservada para a face externa, com bordados de flores que surgem nos movimentos em “S” pairando sobre um azul profundo junto à pala, que cai do peito cobrindo a rica túnica. A pala, ereta, dá dignidade de realeza à figura coroada. São quatro tipos de bordado que o artista mostra com maestria e requinte de diminutas pinceladas, à procura da veracidade do modelo têxtil que fora apresentado. Os doadores do quadro estão representados na parte inferior, de mãos postas junto às nuvens que sustentam a Nossa Senhora do Carmo.
Data de produção
séc. XVIII
Local de produção
América do Sul > Andes

Crucificação
Crucificação
Classificação/Tipologia
Pintura religiosa
Data de produção
séc. XVII
Local de produção
América Central > Guatemala

Coroação de Nossa Senhora
Pintura religiosa
Esta pintura popular da coroação de Nossa Senhora tem acréscimos à iconografia convencional – no plano celeste sendo coroada –, que são a presença de Sant’Ana e São Joaquim, seus pais (ou, ainda, os doadores, representados do mesmo tamanho que as figuras santificadas e vestidos à moda antiga), e a representação de Maria não como assunta ao céu, mas como Imaculada Conceição. É uma pintura catequética que procura informar a origem, a família de Maria, e a complexidade de entender o Deus uno e trino. Procura-se elucidar os dois dogmas de uma só vez, o da concepção de Maria, concebida sem o pecado original, e o da Trindade.
No plano terrestre estão Joaquim, ou o doador, orando e olhando para a Virgem, que fora gerada apesar de sua esterilidade e da idade avançada de Sant’Ana. A doadora, ou a mãe de Maria, está genuflexa, de braços cruzados, reverente, e sinaliza sua aceitação e submissão aos desígnios divinos ao engravidar na velhice. A Imaculada Conceição, e não Maria assunta aos céus, une os mistérios das concepções, pois também a concepção de Cristo foi anunciada por um anjo, como ocorrera com seu pai, Joaquim. A prenunciação de sua assunção está na pequena elevação de seu corpo, amparado por anjinhos e pela Lua crescente aos seus pés.
No plano acima, complementando a materialização do dogma do Deus uno e trino, estão corporificados Filho, à esquerda, Espírito Santo, no centro, e Pai, à direita. Por vezes essa convenção é sublimada e se permite que coloque um globo e barbas longas como atributos para o Pai, a pomba no peito do Espírito Santo e rosto mais jovem com barba escura para o Cristo, que pode ter também uma cruz.
Data de produção
séc. XVII
Local de produção
América do Sul

Fuga para o Egito
Fuga para o Egito
A passagem da fuga para o Egito é narrada apenas no Evangelho de São Mateus: ... apareceu um anjo em sonho a José e disse: Levanta, toma o menino e a mãe , foge para o Egito e fica lá até que te avise. Pois Herodes vai procurar o menino para matar. Levantando-se, José tomou o menino e a mãe, de noite, e partiu para o Egito (Mt 2: 13-14).
Esse tema, de grande aceitação popular, de proteção ao filho, foi amplamente desenvolvido por artistas desde o período românico, nos capitéis das catedrais. Giotto o consagrou em afresco na Basílica de São Francisco em Assis. A composição é dinâmica, típica do barroco. A dramaticidade está na iminente possibilidade de uma morte. Essa passagem se une, no texto de Mateus, com as cenas seguintes da leitura, quando Herodes promove a matança dos inocentes. É um tema consequente de outro, a volta do Egito. As três cenas estão carregadas do emocional: a aparição do anjo a José, a fuga apressada e e o alvorecer.
Nesta pintura, esses elementos estão presentes. A cena é vista um pouco abaixo da linha de visão do fiel, o que obriga o artista a se aproximar muito dos objetos a ser pintados: São José, como pai, abarca toda a cena com suas vestes esvoaçantes e o cajado, e seu olhar é para a mãe e um pouco para trás, espreitando; Maria ocupa-se totalmente do filho, com um amplo gesto de carinho no olhar, e protege o seio do qual sairá o sustento do menino; o animal está diluído em importância no relato como na expressão pictórica pelas cores escuras que pendem entre as roupagens.
A paisagem no fundo, prenunciando a aurora, tem como referencial as antigas pinturas flamengas que influenciaram os primórdios dos ateliês da cidade de Cusco. A perspectiva aérea – diluição dos objetos como recurso de distanciamento – pode ser ainda sentida, em especial na arquitetura fantasiosa no último plano. A grande mancha por detrás da Virgem dramatiza a cena, que ocorre no lusco-fusco da madrugada. A iluminação dos rostos é coerente com a gramática barroca, com um ponto apenas no foco principal, as expressões daqueles que partem em fuga. A maneira com que o Menino está enfaixado é decorrente de iconografia renascentista presente nos relevos do Spedale degli Innocenti – Hospital dos Inocentes –, em Florença.
Data de produção
séc. XVII
Local de produção
América do Sul > Andes

Coroação de Nossa Senhora
Coroação de Nossa Senhora
A composição mostra muito claramente os dois níveis nos quais ocorre a cena. Assunta aos céus, a Virgem ajoelha com uma perna levemente erguida, sai do plano terrestre e, amparada por nuvens, é coroada no céu. A paisagem é distante, apenas insinua um cipreste – símbolo de morte – em um amanhecer. Do lado oposto, Cristo está sobre um arbusto, tendo nuvens para suportar os pés, que mostram os estigmas. Deus Pai, com o globo azul sob o manto vermelho, está posicionado por detrás do manto de Maria. Ambos os mantos tocam o plano terrestre, o cipreste.
A solução pictórica é simplificada em termos de cores, em especial o vermelho, com pouco uso do sombreado. Também é conflitante a solução das auréolas ou resplendores, aqui aparente no uso do branco com raios conseguidos por meio de linhas retas. A moldura de nuvens insinuando o local celeste onde a cena ocorre é por demais simplificada. A busca da volumetria é intencional, e o aplique dos dourados é tímido.
Palavra do colecionador
“A Virgem coroada pela Santíssima Trindade é obra do início do século 19. A Santíssima Trindade está composta do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Parece que não se trata de um ex-voto. Notem-se duas particularidades: o fundo do quadro está iluminado pelos raios saindo das cabeças dos quatro principais personagens, e a tela está semeada de estrelinhas douradas.”
Jacques Boulieu
Data de produção
séc. XVIII
Local de produção
América do Sul
Anotações do Colecionador
Coroação da Virgem pela SS Trindade, ornamentos dourados


Máscara


Máscara de Doña Maria ou Malinche
Data de produção
séc. XIX
Material
Madeira
Local de produção
América Central
Máscara esculpida em madeira policromada, semelhança com máscara do teatro grego antigo

Máscara de espanhol

Máscara de espanhol
séc. XIX
Material
Madeira
Técnica
Escultura
Local de produção
América Central
Máscara esculpida em madeira policromada. Pequenas orelhas. patina escura. Tema recorrente

Imagem



São Vicente Ferrer
São Vicente Ferrer
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Resumo descritivo
O santo pregador dominicano Vicente Ferrer (Valência, Espanha, 1350 – Vannes, França, 1419) foi ativo na política como homem letrado, dedicando-se mais ainda à religião. Na política, interferiu no Reino de Aragão e foi conselheiro espiritual do rei Juan I; na religião, participou ativamente para o final do Cisma do Ocidente, quando havia um papa em Avinhão e outro em Roma. Seu nome em catalão, Ferrer, significa ferreiro. Sua fama de taumaturgo – milagreiro – espalhou-se pela Espanha e pela Bretanha, na França, onde é o protetor dos cavalos.
Esta escultura de São Vicente Ferrer está sobre um pedestal hexagonal, pintado de vermelho, rimando com a capa do livro. O movimento de descanso de sua perna esquerda joga a pala dourada para a direita, aliviando a frontalidade da posição. Os braços em contraponto, com uma mão para baixo e outra para cima, auxiliam na movimentação da peça, que tem no manto preto uma moldura a evidenciar o hábito dominicano. A policromia segue esse hábito, preto e branco, e a habilidade do pintor com o douramento soube realçar as punções do escultor. O par de asas, lembrando que um papa o comparou a um anjo que viera converter os homens ao cristianismo, é o atributo que o faz mais reconhecível. As asas e o resplendor são em prata batida. Sua invocação previne as dores de cabeça e a epilepsia. É patrono de Valência e Vannes, e seu dia é comemorado em 5 de abril.
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira | Metal
Anotações do Colecionador
S Vicente Ferrer, barroco bahiano, asas de metal, madeira dourada, pintada. Resplendor, cruz de prata, Ov, vistoso, asas novas

São Domingos de Gusmão
São Gonçalo de Amarante
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Resumo descritivo
São Gonçalo de Amarante (1187, Arriconha – 1262, Amarante, Portugal), santo de grande popularidade em Portugal desde os tempos medievais, quando se construiu um mosteiro em Amarante em sua homenagem. Sua iconografia é baseada na obra de construção de uma ponte sobre o rio Tâmega, para a qual ele angariou dinheiro. Nesta escultura, com hábito dominicano, vemos a última fase de sua vida como sacerdote – antes fora cura de uma paróquia. Seu pé esquerdo sobre a ponte dinamiza a escultura com suave inclinação do corpo, de policromia severa: branco para o hábito e preto para a ampla capa. O atributo faltante na mão direita seria um cajado de peregrino, pois durante 12 anos andara por Roma e pela Terra Santa. Seu dia é comemorado em 10 de janeiro, com danças e congadas, as quais se relacionam com São Benedito e Nossa Senhora do Rosário.
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Local de produção
América do Sul
Anotações do Colecionador
S Gonçalo, barroco, sem dourado, madeira pintada, base asimetrica, bela escultura barroca ou rococo

São Vicente Ferrer
São Vicente Ferrer
Escultura religiosa
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Técnica
Escultura
Local de produção
América do Sul
Anotações do Colecionador
S Vicente Ferrer , madeira policromada e dourada belas asas de cores vivas,

São Vicente Ferrer
São Vicente Ferrer
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Técnica
Escultura
Local de produção
América do Sul
Anotações do Colecionador
S Vicente Ferrer, ingenuo, asas vermelhas madeira pintada e dourada, ov, penteado de indio, livro em forma de losango

São Gonçalo de Amarante
São Gonçalo de Amarante
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Resumo descritivo
A iconografia de São Gonçalo de Amarante aqui apresentada é de peregrino, com o cajado na mão direita, vestido com o hábito dominicano – batina branca e capa preta com capuz – e um livro na mão esquerda. Seus atributos são referentes a seus milagres, como a construção da ponte sobre o rio Tâmega e, na veneração popular, com uma viola, referente à dança feita para o santo como casamenteiro.
É cultuado desde 1551 e foi beatificado em 1671 pelo papa Clemente X. Sua pequena ermida foi substituída por um grandioso convento, convertendo-se em local de peregrinação. No Brasil, é patrono de muitas cidades em vários estados, além de ser celebrado com festas populares, como a dança – com coreografia de rodeadas – das mulheres casamenteiras, a cavalaria – pois é padroeiro dos homens de caminho, tropeiros e viandantes – e a congada de São Gonçalo, celebrada com São Benedito e Nossa Senhora do Rosário.
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Local de produção
América do Sul
Anotações do Colecionador
S Gonçalo dourado, barroco baiano, madeira dourada e pintada, resplendor, cruz de prata, Ov, estofamento rico e vistoso

São Gonçalo de Amarante
São Gonçalo de Amarante
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Resumo descritivo
São Gonçalo de Amarante (1187, Arriconha – 1262, Amarante, Portugal), santo de grande popularidade em Portugal desde os tempos medievais, quando se construiu um mosteiro em Amarante em sua homenagem. Sua iconografia é baseada na obra de construção de uma ponte sobre o rio Tâmega, para a qual ele angariou dinheiro. Nesta escultura, com hábito dominicano, vemos a última fase de sua vida como sacerdote – antes fora cura de uma paróquia. Seu pé esquerdo sobre a ponte dinamiza a escultura com suave inclinação do corpo, de policromia severa: branco para o hábito e preto para a ampla capa. O atributo faltante na mão direita seria um cajado de peregrino, pois durante 12 anos andara por Roma e pela Terra Santa. Seu dia é comemorado em 10 de janeiro, com danças e congadas, as quais se relacionam com São Benedito e Nossa Senhora do Rosário.
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Técnica
Escultura
Local de produção
América do Sul
Anotações do Colecionador
S Gonçalo, barroco, sem dourado, madeira pintada, base asimetrica, bela escultura barroca ou rococo

Santa Luzia
Santa Luzia
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Técnica
Escultura
Local de produção
América do Sul
Anotações do Colecionador
Santa Luzia graciosa, estilo barroco madeira dourada e pintada em tons delicados, Ov, belas proporções, bonito rosto delicado, leveza



Crucifixo
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Resumo descritivo
O Cristo crucificado foi representado apenas na Idade Média. Além das intenções teológicas, como as descrições nos Evangelhos, colaboraram para a evolução formal relatos místicos, resultados de pesquisas científicas, opções culturais e soluções estéticas. No Renascimento, período das grandes navegações e da expansão do cristianismo no mundo, procurou-se uma normatização.
Ou seja, a posição dos braços deveria estar mais próxima à horizontal, indicando estar salvando a todos em todas as direções; na posição ereta, dos pés à cabeça, estaria o Cristo unindo os mundos extremos, o celeste ao terrestre; a cabeça inclinada para a direita, indicando que Roma seria a sede da Igreja e expansão do cristianismo; a dor e a agonia são visíveis na contração do abdome; de dois pregos nos pés, apenas um aparece – e o pé direito sobre o esquerdo. No período do estilo barroco, foram acrescidas dramatizações, como contorções, braços em “V”, exagero nas pinturas das chagas e o nó no perizônio, caindo na lateral e provocando dobras.
Crucifixo de pousar elaborado em madeira, marfim e prata. A base representa o Calvário e a cruz lembra o madeiro. Os braços estão em “V” aberto e o corpo apresenta as pernas sobrepostas. Nos braços, os sinais das veias sobressaltadas. A cabeça inclinada para a direita, os olhos fechados, já morto, com o rosto desfalecido, emoldurado por longa cabeleira. O bigode sai das narinas, contorna os lábios e termina em gancho, bipartido, no queixo. O abdome está contraído mostrando as vértebras.
O perizônio completa a habilidade do artesão ao se expressar na anatomia e no panejamento do tecido que envolve o quadril de Cristo. As dobras e redobras estão firmemente amarradas por cordões duplos e nós. Os cordões se entrelaçam e caem com pontas duplas. As bordas são trabalhadas com debruns e perfurações.
Há marca da lança que o soldado usou para o perfurar. Sua morte por asfixia foi lenta, dolorosa, apenas para condenados violentos. Sobre sua cabeça, o resplendor de prata e a inscrição INRI, Jesus Rei dos Judeus, que Pilatos ordenou colocar.
Data de produção
séc. XVII
Material
Madeira | Marfim | Prata
Local de produção
Ásia
Anotações do Colecionador
Crucifixo. Cristo de marfim (27cm), dois paramentos de prata, cruz do tipo "arvore e rochedo", vestigios de ouro e de policromia


Vasilha
Vasilha
Os traços estilísticos dessa vasilha são insuficientes para uma identificação precisa de sua proveniência. Dadas as características do conjunto de peças expostos, é possível supor que se trata de mais um exemplar original da região de convergência dos atuais territórios do Equador, Colômbia e Peru. O engobe creme com pintura em tons de marrom e alaranjado lembram sutilmente o estilo da cerâmica arqueológica caolim, da região de Cajamarca, Peru.
Material
Cerâmica



Ex-voto
Ex-voto
Classificação/Tipologia
Objeto ritual e cerimonial
Data de produção
séc. XX
Material
Madeira
Técnica
Escultura
Local de produção
América do Sul
Anotações do Colecionador
Coração, cor vermelha

São Francisco Xavier

Escultura religiosa
Resumo descritivo
Membro de família senhorial do reino de Navarra, na Espanha, São Francisco Xavier nasceu em 1506. Junto com Inácio de Loyola, fundou a Companhia de Jesus (1534). Em 1539, a pedido do rei D. João III, foi evangelizar na Ásia, instalando-se em Goa, na Índia,
e de lá fez pregações em Malaca, Ceilão e Ilhas Molucas. Em 1549, foi até o Japão e, em 1552, iniciou viagem à China, onde morreu no mesmo ano.
Nesta escultura de cabeça arredondada, chama atenção a cabeleira encaracolada que circunda toda a face contraída, de olhos desproporcionais, nariz avantajado e boca inexpressiva, fechada e destacada pelo bigode e pela barba, que termina bipartida no queixo.
As orelhas são grandes, o crânio cortado, que poderia receber algum adorno de metal.
Na fronte, o cabelo termina em duas espirais, chamadas de urna, comum nas esculturas
do Ceilão, da Índia e das Filipinas. Aclamado como “Apóstolo do Oriente”, São Francisco
está enterrado em Goa.
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Local de produção
Ásia
Anotações do Colecionador
Escultura de madeira escura policromada com olhos, boca e nariz reduzidos montade sobre uma base














Imaculada Conceição
Imaculada Conceição
Data de podução
séc. XVII
Material
Madeira
Local de produção
Ásia
Escultura em madeira policromada e dourada, belo cabelo, luas, 3 anjos, estilo tipico de Goa

Nossa Senhora com Menino Jesus
Nossa Senhora com Menino Jesus
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Resumo descritivo
Imagem de Nossa Senhora com o menino Jesus sentada em uma cadeira sobre rolos de nuvens. A identificação precisa da invocação se daria em especial pelos atributos, aqui ausentes. O menino Jesus está seguro pela mãe em posição de pé. Seus braços estão cruzados, diferentemente daqueles da Virgem em Majestade, com o Menino abençoando os fíéis com um mão e a outra segurando o globo. O gesto de Maria, com o braço estendido, os dedos prestes a segurar o atributo – rosário, escapulário ou flor –, nos permitiria atribuir a invocação – se Virgem do Rosário, do Carmo...
A Virgem está sentada confortavelmente sobre uma cadeira arredondada, aparentando ser uma figura enobrecida pelas suas vestimentas, que a tornam de grande vulto. As barras de seu manto e túnica têm acabamentos serrilhados. As inclinações opostas das figuras conferem-lhes algum movimento, circunscritos ao corpo do Menino e à cabeça de Maria. Seu rosto é oval, emoldurado por grossos fios de cabelo. Seu olhar é voltado para baixo, com os olhos abertos e delineados por tinta escura.
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Técnica
Escultura
Local de produção
Ásia
Anotações do Colecionador
Escultura em madeira policromada achada em Diu, monobloco, base ingênua, menino de lado, encosto de rochedos.

Imaculada Conceição
Imaculada Conceição
Classificação/Tipologia
Escultura
Data de produção
séc. XVII
Local de produção
Ásia
Escultura com traços chineses, rosto sereno, cabeço cumprido, 3 notáveis rostos de anjos. Panejamento original, formas arredondadas.

Imaculada Conceição
Imaculada Conceição
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Técnica
Escultura
Local de produção
Ásia
Escultura em madeira policromada. Obra ingênua inspirada de modelos europeus com cabelo amarrado, base, luas, rosto de anjo

Imaculada Conceição
Imaculada Conceição
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Técnica
Escultura
Local de produção
Ásia
Anotações do Colecionador
Escultura em madeira policromada. Obra ingênua inspirada de modelos europeus com base grande, dobras insólitas, parte traseira inacabada e uma gde cabeça de anjo

Imaculada Conceição
Imaculada Conceição
Classificação/Tipologia
Escultura religiosa
Resumo descritivo
A iconografia da Imaculada Conceição tem nesta obra a gramática barroca reinventada. A repetição dos símbolos está na evocação de Eva, colocando sobre o rolo de nuvens as duas maçãs, lembrança do pecado original ainda no paraíso terrestre.
O sol, radiante, colado em seu manto esvoaçante, é mais uma confirmação dos símbolos, somados ao crescente lunar na visão apocalíptica de São João Evangelista – Uma mulher vestida de sol, tendo a lua aos seus pés, doze estrelas na cabeça e a serpente, buscava o seu filho.
Ao pé da letra, o artesão uniu todas as simbologias, contidas em uma visão arrebatadora. A Virgem, já coroada, recebeu um inusitado adendo, um “leque” de nuvens acima da coroa real, com duas espirais na parte central, seguindo a tradição de penteado hindu.
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Técnica
Escultura
Local de produção
Ásia
Anotações do Colecionador
Escultura em madeira policromada em estilo naïf com cobra e duas maçãs e flor redonda. Falta resplendor, mãos e luas, coroa quebrada

Sant'Ana Mestra
Sant'Ana Mestra
Escultura religiosa
Resumo descritivo
A escultura de Sant’Ana Mestra em madeira foi esculpida em dois blocos, sendo o menor para Maria menina, que se curva para o “Livro da Doutrina”. Toda a gestualidade da peça leva a atenção para os olhares atentos da mãe e da filha para o livro. Sant’Ana tem ares de matrona, em uma cadeira de espaldar alto – aplicado –, elaborado com recortes compostos de curvas e contracurvas quase planas e pés em “S”. A figura da mãe ergue-se do pedestal curvo sobre o qual as pregas da túnica caem, deixando aparecer apenas um pé, na parte central compositiva; na lateral esquerda, as pregas do manto nascem em linhas diagonais até o pulso da santa, encoberto pela manga comprida da túnica. Sua cabeça é de uma mulher adulta e idosa, e contrasta proporcionalmente com a de sua filha, bem menor. A longa cabeleira emoldura a face inclinada com os olhos voltados para as palavras escritas – aqui, um desenho de pauta musical.
Maria menina está presa ao pedestal, pois que esculpida no outro bloco, e dialoga com o atributo do livro de maneira expressiva, pela gestualidade e atenção ao admirá-lo. Sua face é diminuta e está emoldurada pela cabeleira com penteado similar ao de Sant’Ana. O amplexo maternal une as duas mulheres nesse momento de concentração para a intelecção das doutrinas do “Antigo Testamento”.
Data de produção
séc. XVIII





















Remo
Remo
Data de produção
séc. XX
Material
Madeira
Local de produção
América do Sul > Brasil > Sudeste


Tocheiro

Tocheiro
Classificação/Tipologia
Elemento decorativo
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira

Tocheiro
Classificação/Tipologia
Objeto ritual e cerimonial
Data de produção
séc. XVIII
Material
Madeira
Local de produção
América do Sul

Tupu
Tupu
Classificação/Tipologia
Objeto de uso pessoal
Material
Prata
Local de produção
América Latina

Resplendor
Resplendor
Atributo de escultura religiosa
Data de produção
séc. XVIII
Material
Prata



Referências

https://museuboulieu.org.br/sobre/

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